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VII Colóquio Agricultura, Alimentação e Desenvolvimento e o I Encontro Transição para Sistemas Alimentares Sustentáve

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    GEPAD
  • há 7 dias
  • 8 min de leitura

O Grupo de Estudos em Agricultura, Alimentação e Desenvolvimento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (GEPAD-UFRGS) deu início no dia 2 de dezembro de 2025 o VII Colóquio Agricultura, Alimentação e Desenvolvimento e o I Encontro Transição para Sistemas Alimentares Sustentáveis. O evento aconteceu no prédio da ADUFRGS, em Porto Alegre-RS.


Café da manhã de recepção feito em parceria com a Cooperativa de Turismo de Itati, Três Forquilhas e Terra de Areia
Café da manhã de recepção feito em parceria com a Cooperativa de Turismo de Itati, Três Forquilhas e Terra de Areia

A mesa de abertura foi composta pelos pesquisadores: Catia Grisa (UFRGS-GEPAD); Jairo Bolter (UFRGS-GEPAD); Maycon Schubert (UFRGS-GEPAD); Marcelo COnterato (UFRGS-GEPAD) e Rodrigo Morais da Silva (UFPR).


A sessão de abertura foi conduzida pela professora Catia Grisa, que destacou a relevância de promover espaços de diálogo qualificado sobre os desafios atuais dos sistemas alimentares. Em sua fala, a docente ressaltou que iniciativas como o Colóquio e o Encontro cumprem papel estratégico ao aproximar pesquisadores, estudantes, agricultores familiares, representantes de cooperativas, gestores públicos e organizações da sociedade civil.


Mesa de abertura do VII Colóquio Agricultura, Alimentação e Desenvolvimento e do I Encontro Transição para Sistemas Alimentares Sustentáveis
Mesa de abertura do VII Colóquio Agricultura, Alimentação e Desenvolvimento e do I Encontro Transição para Sistemas Alimentares Sustentáveis

Mesa 1 - Transições para sistemas alimentares sustentáveis


A primeira mesa foi intitulada “Transições para sistemas alimentares sustentáveis – uma visão internacional”, reuniu três especialistas de referência mundial: Alisson Loconto (INRAE–França), Gustavo Porpino (Embrapa Alimentos e Territórios) e John Wilkinson (CPDA/UFRRJ). A coordenação foi realizada pela professora Cátia Grisa (UFRGS–GEPAD), que conduziu o diálogo e contextualizou a relevância dos temas apresentados.


Abrindo a mesa, Alisson Loconto apresentou reflexões sobre novas formas de governança dos sistemas alimentares, destacando como arranjos institucionais inovadores, processos colaborativos e mecanismos de participação social estão remodelando a forma como sociedades organizam a produção, a circulação e o consumo de alimentos.


Em seguida, Gustavo Porpino trouxe um panorama dos desafios dos sistemas alimentares no Brasil, apontando caminhos e oportunidades para acelerar processos de transformação. Entre os temas destacados, ressaltou-se a importância estratégica da redução de perdas e desperdício de alimentos, área que, segundo ele, representa um potencial para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos e gerar impactos positivos no acesso à alimentação adequada e de qualidade.


Encerrando as exposições, John Wilkinson analisou as profundas diferenciações internas da população global — demográficas, econômicas, territoriais, climáticas e relacionadas aos estilos de vida. Para o pesquisador, essa diversidade exige respostas múltiplas e complementares, capazes de dialogar com realidades distintas e promover transições alimentares sustentáveis de forma integrada, contextualizada e sensível às desigualdades.


Mesa 1: Transições para sistemas alimentares sustentáveis – uma visão internacional.
Mesa 1: Transições para sistemas alimentares sustentáveis – uma visão internacional.

Mesa 2 - Transição sustentável nos territórios: agroecologia, bioinsumos, bioeconomia e pagamento por serviços ambientais


A Mesa 2 foi coordenada pela Daniela Oliveira (UFRGS–GEPAD) e reuniu três pesquisadores que trouxeram diferentes olhares sobre os caminhos para fortalecer a sustentabilidade nos territórios rurais.


Eduardo Martins (GAAS) apresentou as experiências relacionadas ao uso de bioinsumos, destacando que o GAAS busca melhorar as condições de vida do agricultor, garantindo maior autonomia na escolha e produção de insumos. Segundo ele, fortalecer a capacidade local e regional de obtenção desses insumos é fundamental para reduzir custos e ampliar a soberania dos agricultores familiares.


Na sequência, Marie-Éve Gaboury-Bonhomme (Université Laval) apresentou um panorama da agricultura no Quebec e as principais intervenções governamentais no meio rural. A pesquisadora destacou, em especial, o programa de remuneração das práticas agroambientais, que busca incentivar agricultores a adotarem ações alinhadas à sustentabilidade. Em sua fala, ela reforçou que a remuneração é importante, mas não deve ser vista como solução única: ela compõe um conjunto mais amplo de políticas e serviços fundamentais para apoiar uma transição agroambiental consistente e de longo prazo.


Finalizando a mesa, Danilo Araújo Fernandes (UFPA) abordou a relevância da sociobioeconomia. O pesquisador reforçou que a bioeconomia no Pará representa uma oportunidade para valorizar a sociobiodiversidade amazônica, fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e promover um modelo de desenvolvimento que integra conservação ambiental, geração de renda e inovação territorial.


Mesa 2: Transição sustentável nos territórios: agroecologia, bioinsumos, bioeconomia e pagamento por serviços ambientais
Mesa 2: Transição sustentável nos territórios: agroecologia, bioinsumos, bioeconomia e pagamento por serviços ambientais

Mesa 3 - Alimentação, nutrição e segurança alimentar e nutricional: transições em jogo


A Mesa 3 reuniu especialistas para discutir as transformações necessárias nos sistemas alimentares contemporâneos. Com o tema “Alimentação, nutrição e segurança alimentar e nutricional: transições em jogo”, o encontro proporcionou um panorama sobre desigualdades, evidências científicas e perspectivas tecnológicas que moldam o debate atual.


A primeira fala foi conduzida por Sergio Paganini Martins (GPP/Esalq), que apresentou o mapeamento dos desertos e pântanos alimentares. Seu estudo revelou como fatores territoriais associados à renda, mobilidade e oferta de alimentos interferem diretamente no acesso da população a produtos saudáveis.


Na sequência, Suzi Cavalli (UFSC) discutiu evidências para a transição dos sistemas alimentares sustentáveis em dietas, trazendo resultados de pesquisas sobre o papel das escolhas alimentares, das recomendações nutricionais e de intervenções intersetoriais na promoção de hábitos saudáveis.


Encerrando a mesa, Mariana Hase Ueta (Technische Universität Dresden – Alemanha) apresentou o tema imaginações tecnológicas inclusivas em sistemas alimentares sustentáveis. A pesquisadora evidencia como essas inovações constroem narrativas de segurança, sustentabilidade, saúde e ética para legitimar os produtos. Ao analisar tais discursos, Ueta revela a disputa entre novos arranjos sociotécnicos e o modelo industrial tradicional de produção de carne.


A mesa foi coordenada pela professora Cidonea Deponti (Unisc – GEPAD), que conduziu o diálogo, articulou as contribuições dos painelistas e destacou a necessidade de pensar os sistemas alimentares como espaços em contínua transição.


Mesa 3: Alimentação, nutrição e segurança alimentar e nutricional: transições em jogo.
Mesa 3: Alimentação, nutrição e segurança alimentar e nutricional: transições em jogo.

Mesa 4 - O futuro das proteínas e os desafios para sistemas alimentares sustentáveis


A Mesa 4 do VII Colóquio, realizada no dia 3 de dezembro, reuniu pesquisadoras e pesquisadores de referência nacional para discutir os rumos da produção e do consumo de proteínas em um cenário de intensas transformações científicas, sociais e ambientais. Sob coordenação de Alex Leonardi (FURG–GEPAD), a mesa destacou os dilemas associados ao atual modelo de produção animal e os caminhos possíveis para sistemas alimentares mais sustentáveis e integrados.


Carla Forte Maiolino Molento (UFPR) abriu a discussão analisando as mudanças na demanda por carne, impulsionadas tanto pela ampliação das alternativas proteicas quanto pelos desafios éticos e ambientais da produção convencional.


Na sequência, Marcelo Beltrão Molento (UFPR) chamou atenção para temas críticos à saúde pública e animal, como a resistência antimicrobiana, a epigenética e os efeitos clínicos das infecções em rebanhos.


Augusto Hauber Gameiro (USP) aprofundou o debate ao comparar as trajetórias energéticas das proteínas de origem animal e vegetal, defendendo que escolhas alimentares precisam considerar fatores sistêmicos e territoriais.


Encerrando as exposições, Paulo André Niederle (UFRGS–GEPAD) discutiu o papel dos atores sociais na construção de sistemas alimentares sustentáveis e analisou as narrativas predominantes no mercado de proteínas alternativas.


Mesa 4: O futuro das proteínas e os desafios para sistemas alimentares sustentáveis
Mesa 4: O futuro das proteínas e os desafios para sistemas alimentares sustentáveis

Mesa 5 - Adaptação e resiliência dos sistemas alimentares diante das mudanças climáticas


A Mesa 5 reuniu especialistas para debater os desafios e caminhos para fortalecer a resiliência e a capacidade de adaptação dos sistemas agroalimentares frente aos impactos crescentes das mudanças climáticas. O encontro, coordenado por Márcio Gazolla (UTFPR – GEPAD), destacou a urgência de políticas articuladas, inovação e investimentos estruturais para garantir segurança alimentar no país.


Kamyla Borges (ICS) apresentou as condições essenciais para impulsionar a transição rumo a sistemas alimentares sustentáveis, enfatizando o papel estratégico da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), do financiamento adequado e da ampliação da infraestrutura de energia e conectividade no meio rural.


Na sequência, Sergio Schneider (UFRGS – GEPAD) detalhou os efeitos diretos e indiretos das mudanças climáticas sobre o sistema agroalimentar, apontando desde impactos na produção e sensibilidade climática até interrupções nas cadeias de abastecimento e riscos à qualidade e segurança dos alimentos. Para Schneider, a construção de sistemas alimentares mais resilientes depende da diversificação produtiva, da adaptação territorial e do reconhecimento das especificidades sociais e familiares que estruturam os diferentes modelos agroalimentares.


Representando o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Tatiane Pereira apresentou o Plano Clima, que integra ações de mitigação e adaptação climática articuladas de forma transversal entre setores. Ela destacou que as estratégias propostas visam não apenas reduzir emissões, mas também fortalecer respostas locais, integrar políticas públicas e ampliar a proteção social diante dos eventos climáticos extremos.


Mesa 5: Adaptação e resiliência dos sistemas alimentares diante das mudanças climáticas
Mesa 5: Adaptação e resiliência dos sistemas alimentares diante das mudanças climáticas

Mesa 6 - Ativismo, políticas públicas e transformações sociais nas transições para sistemas alimentares sustentáveis


A Mesa 6 reuniu pesquisadores e especialistas para discutir como os aspectos sociais, o ativismo e o papel do Estado influenciam as transições rumo a sistemas alimentares mais justos e sustentáveis. Coordenada por Zenicleia Deggerone (UERGS–GEPAD), a mesa evidenciou que as mudanças no campo alimentar são profundamente atravessadas por disputas políticas, práticas cidadãs e transformações tecnológicas.


Juliana Tângari (Instituto Comida do Amanhã) abriu o debate destacando que as políticas alimentares nas cidades devem ser compreendidas a partir de uma abordagem sistêmica. Para a pesquisadora é essencial para orientar transições sustentáveis em escala macro, articulando governança, planejamento e inovação.


Em seguida, Maycon Schubert (UFRGS–GEPAD) abordou os ativismos alimentares, mostrando como diferentes movimentos sociais têm politizado a alimentação e disputado narrativas sobre o que significa comer de forma saudável, justa e sustentável.


Rodrigo Morais da Silva (UFPR) contribuiu com uma reflexão sobre os impactos sociais decorrentes das mudanças tecnológicas no sistema alimentar, chamando atenção para a necessidade de compreender como a inovação altera relações de trabalho, modos de produção, acesso a mercados e dinâmicas territoriais.


Encerrando as exposições, Marcelo Carneiro (UFMA) apresentou a experiência da Rede Mandioca, destacando seu papel no fortalecimento da agroecologia, na valorização de saberes tradicionais e na construção de alternativas sustentáveis enraizadas nos territórios.


Mesa 6:  Ativismo, políticas públicas e transformações sociais nas transições para sistemas alimentares sustentáveis
Mesa 6:  Ativismo, políticas públicas e transformações sociais nas transições para sistemas alimentares sustentáveis

Mesa de Encerramento - Agendas urgentes para a transição sustentável dos sistemas alimentares


A mesa de encerramento do evento, intitulada “Agendas para a Transição Sustentável dos Sistemas alimentares”, reuniu lideranças de movimentos sociais e representantes de organizações da agricultura familiar para debater os desafios estruturais e as perspectivas de avanço na construção de sistemas alimentares mais justos, resilientes e ambientalmente responsáveis. Sob coordenação de Jairo Bolter (UFRGS–GEPAD), o painel ofereceu um panorama contundente das tensões que atravessam o campo brasileiro e das iniciativas que vêm sendo desenvolvidas para enfrentar esses obstáculos.


A primeira intervenção foi de Vânia Marques Pinto (CONTAG), que chamou atenção para os problemas históricos vivenciados pelas famílias agricultoras, especialmente a concentração hídrica e a concentração de terras, elementos que aprofundam desigualdades e limitam a capacidade de adoção de práticas sustentáveis. Vânia destacou a complexidade da transição agroecológica, que exige mudanças estruturais e enfrenta disputas intensas com a lógica dominante do sistema capitalista, marcado pela pressão por produtividade, dependência de insumos e mercantilização dos territórios.


Na sequência, Douglas Cenci (FETRAF-RS) apresentou dados sobre a experiência de transição produtiva conduzida pela Federação no Rio Grande do Sul, especialmente por meio do método SPDH+, atualmente implementado em 300 unidades de produção familiares. Segundo ele, a iniciativa demonstra que a mudança do modelo produtivo é possível quando articulada a redução de custos, processos formativos, acompanhamento técnico e protagonismo das famílias agricultoras, reforçando práticas baseadas na saúde das plantas, diversidade produtiva, redução do uso de insumos externos e autonomia produtiva da agricultura familiar.


Encerrando o painel, Gervásio Plucinski (UNICAFES-RS) trouxe um panorama das cooperativas da agricultura familiar ligadas à Unicafes, ressaltando seu papel central na organização econômica dos agricultores, na ampliação do acesso a mercados e na construção de sistemas alimentares territorializados. Ele enfatizou que fortalecer as cooperativas é fortalecer a capacidade dos agricultores de permanecerem no campo.


Mesa de encerramento: Agendas urgentes para a transição sustentável dos sistemas alimentares
Mesa de encerramento: Agendas urgentes para a transição sustentável dos sistemas alimentares

A equipe de organização do evento agradece a todas as pessoas que celebraram conosco os 20 anos do nosso grupo, o GEPAD, e que estiveram presentes no VII Colóquio Agricultura, Alimentação e Desenvolvimento e no I Encontro Transição para Sistemas Alimentares Sustentáveis.




 
 
 

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Criado por Manu Raupp

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