Professor Sergio Schneider, do GEPAD, é eleito presidente da IRSA — Associação Mundial de Sociologia Rural
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Eleição realizada nesta terça-feira (12/5) marca a primeira vez, desde a fundação da entidade em 1964, que um membro da ALASRU assume a presidência da maior associação científica do mundo dedicada aos estudos rurais. A posse formal ocorrerá em julho, durante o XVI Congresso Mundial de Sociologia Rural, em Porto Alegre.

É com grande alegria que o GEPAD comunica que o professor Sergio Schneider, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi aclamado, nesta terça-feira (12 de maio de 2026), pela diretoria da International Rural Sociology Association (IRSA) como presidente-eleito para o mandato 2026–2030. Fundador e integrante histórico do GEPAD, Schneider assumirá a frente da maior associação mundial dedicada aos estudos rurais.
Um marco para o Brasil e a América Latina
Desde sua fundação, em 1964, a IRSA nunca havia sido presidida por um membro da Associação Latinoamericana de Sociologia Rural (ALASRU). A escolha de Schneider representa, portanto, um reconhecimento inédito à produção científica das ciências sociais rurais brasileiras e latino-americanas no cenário global, com forte simbolismo regional num momento em que os debates sobre sistemas alimentares, emergências climáticas e desenvolvimento rural ganham centralidade na agenda internacional.
“Reconhecimento ao trabalho coletivo”: a palavra do novo presidente
Em entrevista concedida ao GEPAD logo após a eleição, o professor destacou o caráter coletivo da conquista:
“Estou muito contente e orgulhoso por ter sido eleito presidente da IRSA. Trata-se de um reconhecimento à Sociologia e às ciências sociais rurais do Brasil e da América Latina, já que é a primeira vez que um membro da ALASRU assume o cargo na IRSA. Mas, para além da felicidade pessoal, quero destacar que minha trajetória como cientista social rural se estriba no trabalho coletivo, tanto com meus alunos — sobretudo os orientandos de mestrado e doutorado com quem trabalhei — assim como com meus colegas do Brasil e da América Latina. Quero fazer um destaque especial aos colegas do GEPAD, nosso grupo de pesquisa da UFRGS. Sem meus colegas do GEPAD eu não teria a energia necessária e nem mesmo o interesse para fazer tantas coisas.”
— Prof. Sergio Schneider
Schneider também agradeceu às sociedades científicas com as quais tem trabalhado ao longo da carreira — a SOBER, a Rede Rural, a SBS e a Anpocs — e, mais recentemente, à RC40 da ISA. Sobre o que pretende com o mandato à frente da IRSA, afirmou:
“Meu trabalho na IRSA como presidente será o de catalisador destas organizações, promovendo interfaces e interações, e buscando abrir espaços para os jovens pesquisadores, que são o futuro da ciência para as respostas que precisamos construir para nos ajudar a sair do atoleiro global em que a sociedade humana se meteu.”
— Prof. Sergio Schneider
Sobre a IRSA
A International Rural Sociology Association (IRSA) reúne as associações regionais de pesquisadores e cientistas sociais que se dedicam a temas rurais, agrários, alimentares e ambientais, entre outros campos correlatos.
Criada em 1964, a entidade teve seu primeiro congresso realizado em Dijon, na França. Inicialmente, congregava as associações de Sociologia Rural da Europa e dos Estados Unidos, que iniciaram, em 1962, em Washington, D.C., as primeiras discussões sobre a necessidade de criar uma organização internacional. Mais informações sobre a história da IRSA estão disponíveis em irsa-world.org
Posse acontece em Porto Alegre, em julho
A assunção formal de Sergio Schneider à presidência da IRSA ocorrerá durante o XVI Congresso Mundial de Sociologia Rural, que será realizado em Porto Alegre, conjuntamente com o 64º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER), entre os dias 19 e 23 de julho de 2026, no Campus Central da UFRGS. Mais informações sobre o evento podem ser acessadas em even3.com.br/sober-irsa2026.

Sociólogo, orientador e apicultor: a trajetória do novo presidente da IRSA
Sociólogo e cientista social, Sergio Schneider atua na UFRGS nos Programas de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS) e Desenvolvimento Rural (PGDR), pesquisando temas de desenvolvimento rural e estudos agroalimentares. Graduado em Ciências Sociais, com mestrado e doutorado em Sociologia, é bolsista PQ1A do CNPq desde 2003 e foi pesquisador visitante nas Universidades de Cardiff (2008), Wageningen (2012), na FLACSO-Equador (2012–2015), na City London University (2015) e em Montpellier, França (2023). Desde 2019, é professor convidado da COHD-CAU, na China.
Atua como consultor e assessor de organizações das Nações Unidas (FAO, OMS, FIDA) e do IICA, além de ONGs, sindicatos e cooperativas de agricultores familiares no Brasil e na América Latina. É autor e organizador de mais de 20 livros, 205 artigos em periódicos e 127 capítulos de livros, e orientou mais de 60 pós-graduandos entre mestrado, doutorado, iniciação científica e pós-doutorado.
Seus interesses de pesquisa abrangem sociologia da alimentação, desenvolvimento agrário e rural, mercados, transição dos sistemas alimentares, mudanças climáticas, agricultura e agronegócio na China e na Rússia, agenda dos ODS, agricultura familiar, dinâmicas territoriais e políticas públicas. Coordenou o GEPAD por vários anos e segue como membro do grupo. É casado, apicultor, pai de duas filhas, e possui uma pequena propriedade rural de 12 hectares na Picada dos Nabos, em Sapiranga (RS).
A agenda da Sociologia Rural no século 21
Em mensagem à comunidade acadêmica, Schneider destacou que, embora as formas sociais da produção agroalimentar sigam sendo um tema de grande interesse — assim como a estratificação social, as estruturas de poder, a identidade social e as questões de gênero e geração — o mundo contemporâneo obriga as ciências sociais rurais a compreenderem também as dinâmicas alimentares urbanas, os sistemas de abastecimento e as políticas alimentares. Em um nível ainda mais sistêmico, ganham centralidade as questões relacionadas às emergências climáticas, à nova geopolítica global e às transformações tecnológicas e informacionais.
Para o novo presidente da IRSA, a sociologia rural e suas interfaces com os estudos agroalimentares, ambientais e territoriais têm uma contribuição importantíssima para a compreensão das transformações sociais nesta quadra da história humana — sendo necessário ampliar o escopo teórico e analítico, o arsenal metodológico e preparar as próximas gerações de cientistas sociais para interagir com outras disciplinas e com os diversos atores políticos da sociedade.
O GEPAD se une à comunidade da sociologia rural brasileira e latino-americana para parabenizar o professor Sergio Schneider pela conquista histórica e desejar uma gestão exitosa à frente da IRSA. Esta é também, no espírito apontado pelo próprio professor, uma vitória coletiva — do grupo, dos orientandos, dos colegas das universidades parceiras e das sociedades científicas que sustentam o campo das ciências sociais rurais no Brasil e na América Latina.

